segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O que aprendi com o Félix!



 
Redenção: Do L. REDEMPTIO, “ato de comprar de volta”, de REDIMERE, “comprar de volta, libertar, resgatar”, formado por RE-, “de novo”, mais EMERE, “pegar, tomar, ganhar, comprar.

Não, não vou falar do beijo gay, o que eu penso sobre, não faz muita diferença em relação a algumas observações que fiz sobre este personagem, Félix.

Félix: LATIM significa FELIZ.

Uma personagem intrigante começa a novela armando contra a irmã, tem um casamento de fachada, não gosta do filho, não gosta de criança, não gosta de idosos, não gosta da sogra, trata a secretaria de cadela, joga a sobrinha em uma caçamba de entulhos, interna a irmã mais nova em um manicômio que ainda utiliza a pratica de choque no tratamento, rouba a própria família, utiliza a sogra como laranja em um negocio sujo, tem uma relação extraconjugal com outro homem, tem apenas três amores; dinheiro, sua mãe e a si mesmo.

Depois de atrapalhar muita gente, fazer mal a muitas pessoas, ele fica pobre, vai vender hot-dog na 25 de Março, perde seu status, seu poder seu amor próprio; seu amante esta preso humilhado pela secretaria, sua homossexualidade revelada para toda a família, desmascarado como autor do desvio da sobrinha enfim conhece todas as mazelas de um pobre mortal.

Mas discorrer aqui sobre o Félix, ficaria gastando muito tempo para explicar a novela, a quem já assistiu e pra quem não assistiu e não sou noveleiro, confesso que nos últimos 2 meses assisti sempre que deu, pois queria ver o desfecho deste personagem.

Sim, houve o beijo gay, não me atrai este tipo de comportamento na TV aberta, quanto a minha filha ela assisti a Discovery Kids, Nick Jr., Disney Jr, TV Ra Tim Bum, Cultura, mas o que aprendi com o Félix?

Vi um homem arrependido, depois de haver passado uma experiência degradante, onde possuía tudo que uma pessoa gostaria de possuir, dinheiro, status, era diretor de um hospital de ponta, carros, mansão, restaurantes luxuosos, em poucas horas, esta dormindo em um hotel barato do centro de São Paulo, andando de ônibus lotado e vestindo shorts de licra, com uma flor berrante na cabeça gritando, “HOT-DOG do Félix”, correndo do rapa, cuidando de um bebe, morando com uma mulher brega, sendo assediado por um mecânico humilde, enfim tudo aquilo que ele temia, aconteceu, repetindo a frase de uma canção do Pr. Michael Santiago, “toda a sua dor lhe deu poder”.

Ele venceu a adversidade, superou seus preconceitos, mudou seus paradigmas, conheceu o amor.

Muitos virão me falar sobre sua homossexualidade, mas porque é tão difícil para o cristão entender que ele foi transformado, apesar de não ter mudado sua opção sexual, não, não vou afirmar que ele se converteu, pois isso publicamente não aconteceu, nem ficou implícito pelo autor que isso aconteceria, mas o fato é que ele conheceu o amor, algo mudou dentro dele e ele de maneira surpreendente mudou, tudo o que ele havia feito de errado vem a tona, forçadamente pela mãe ele precisa se retratar com as pessoas que ele ofendeu e isso transcende.

Ele começa a se afeiçoar com crianças, um inimigo declarado, o ancião dr. Lutero, se inicia um relacionamento com um certo respeito, estilo Félix, mas havia respeito, a brega que ele nunca conversaria, o ajuda, agora de volta a família e rico novamente dividi sua mesada com ela pede perdão a irmã e inicia um longo e doloroso processo de restaurar ou melhor criar um entendimento de amor e respeito com o próprio pai.
O filho, Jonatas, desprezado pelo pai, se transforma em seu melhor amigo e referencia, sua preocupação estende-se até a pequena Mary Jane, filha do desestruturado casal Valdirene e Carlito.

Sua transformação é visível e um exemplo para muito cristão, como assim Léo? Exemplo?

Sim, apesar de gay, assunto tão delicado e de tratamento tão controverso no nosso meio, sua transformação foi exemplar, quantos de nós, após a nossa conversão, seguimos no caminho inverso a Redenção e nos distanciamos de gente querida, Deus me perdoou, no meu intimo já pedi perdão, mas não restitui a quem fraudei, continuei com o coração duro, não levo desaforo pra casa, Félix foi humilhado pelo pai até a ultima cena, mas permaneceu fiel ao seu amor, acho que eu mesmo não teria feito aquilo.

O beijo gay, a tele dramaturgia brasileira precisava disso, se não fosse com ele, seria outro personagem, abrira precedentes? Acho que sim, não me importa, assisti os últimos capítulos, pois queria escrever sobre este desfecho.

Aprendi muito com ele, descobri que posso melhorar em muita coisa, ele continuou sua vida, gay, morando com um parceiro, e daí?

Pecado? Sim, mas todas as outras transformações que ele sofreu não contam?
Carminha era hétero, adultera má, mas sua transformação foi mais bem aceita, porque não a do Félix? Simples ele continuou gay, transformado em um ser humano muito melhor, mas gay e isso não preenche nossos requisitos de aceitação.
Félix é só uma personagem, a novela acabou e em pouquíssimo tempo será esquecido, deixado para trás, outros assuntos se iniciaram por causa de outras novelas, ainda assim o exemplo dele pode ser seguido, apesar de gay, fica o exemplo de um ser humano que buscou melhorar, ser gay é um pecado individual, os danos que ele pode causar é só a si mesmo.

Disse um poeta “É preciso amar, as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se você, parar pra pensar, na verdade não há...” (Renato Russo)

Se tratamos uma personagem assim, como trataríamos um gay no nosso meio?
Aprendi que pessoas mudam pra melhor, apesar de não alcançar minhas expectativas, foi assim com o Félix.

Excelente semana para todos.

Voltei!!!


sábado, 7 de dezembro de 2013

Características Comuns de Como as Seitas Operam


Para seitas abusivas, a palavra chave é CONTROLE, CONTROLE, CONTROLE, pela submissão à liderança - os líderes tendem a ser o fim absoluto, vistos como profetas de Deus, como apóstolos especialmente ungidos. Ou eles podem ser um dominador, controlando, com uma personalidade manipulativa exigindo submissão até mesmo se ele muda as suas visões em conflitos que ocorrem em doutrina ou comportamento. Às vezes eles podem ser vistos como o próprio Deus. Freqüentemente obedecer a um líder e seus ensinos são iguais a obedecer a Deus.

Pode levar tempo para eles ganharem poder sobre o novo convertido, mas consequentemente acontecerá. Controle é entendido por subjugar e pode cobrir a maioria dos aspectos das vidas dos seguidores: códigos de vestuário, atividades, finanças, tempo, posses e relações. Eles podem ditar ao membro o que ver, o que fazer, qual é a coisa certa para dizer e como dizer. Podem ser experimentados vários graus de controle, de manipulação sutil até a ordenação descarada. Eles esperam obediência rígida dos membros sobre o tempo e atividades - envolvendo seus seguidores fisica e emocionalmente, drenando atividades e deixando pouco tempo para privacidade e reflexão, ou para questionar a sua autoridade. Esperando o momento para mostrar isso quando todos estão juntos, e tudo normalmente é feito em grupos.

O método de controle que é usado normalmente é o MEDO de desagradar a Deus, o líder ou ambos. Medo de rejeição, castigo, perda da salvação, perder o arrebatamento, indo para o inferno. Culpa, temor e intimidação são armas que mantém a lealdade e devoção ao grupo.

Intimidação e acusação são freqüentemente usadas. Por exemplo, qualquer questionamento a autoridade é tratado como rebelião, e não como confiança. Eles suprimem perguntas e as conformam ao comportamento do grupo. Eles desencorajam pensamento crítico ou racional e perguntas que eles responderão com comentários do tipo, "Satanás é a causa de toda a dúvida; ele está escondendo de você a verdade", ou levará tempo para entender as profundezas de Deus. Pensamento crítico é desencorajado sendo chamado de orgulhoso ou pecador ou rebelde. Nenhum pensamento independente é encorajado.

Eles simplificam respostas às perguntas da vida, enquanto fazem de tudo para que todas as situações sejam tão simples quanto preto no branco.

AUTORIDADE SOBRE O GRUPO EM ASSUNTOS ÍNTIMOS: Dizendo com quem se encontrar ou com quem se casar. Decisões são tomadas pelo líder sobre quem, e quando você estará pronto.
Cristo ensina que os líderes devem ser servos dos que eles guiam. Os líderes de seitas se exaltam, exigindo que os seguidores o sirvam ou ao programa da igreja. Jesus disse, "O maior dentre vós será vosso servo" Mt 23:11. Ele disse de si mesmo, "Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" Mt 20:28. Este é um modo seguro para ver seu envolvimento, desde que a prática de uma seita seja deixada de lado.

LIBERDADE ABUSIVA COM A PALAVRA DE DEUS: A Bíblia não é dividida corretamente. São acrescentadas revelações particulares e interpretações a Palavra, e às vezes ela é substituída. Passagens contraditórias às convicções ortodoxas são torcidas e tiradas do seu contexto. É colocada forte ênfase em certas passagens que dão credibilidade ao seu ministério. Enquanto outras Escrituras pertinentes essenciais e práticas são completamente ignoradas. Estudantes da Bíblia de que dão uma interpretação diferente dos membros de seitas são ignorados ou ridicularizados.

LEALDADE IMPRÓPRIA: Para alguém que se encontra envolvido em um sistema abusivo sua lealdade é estimulada e igualmente exigida. Lealdade para Cristo é substituída por lealdade a uma organização, igreja ou líder. Porque autoridade normalmente é de um indivíduo ou um grupo a pessoa é perguntado se ele será leal a Deus o que confunde o membro que ser leal a uma pessoa ou a um grupo é a mesma coisa.

ISOLAMENTO: Controle da informação é praticado onde os membros do grupo não são permitidos ou desencorajados a ter contato com membros familiares de fora, outros ministérios ou cristãos que poderiam os influenciar. Isto é feito para prevenir vazamento de informação que pode expor o que ocorre internamente. Eles cortam ou denigrem fontes externas de informação, especialmente se é crítica ao grupo. A pessoa não é permitida ler ou conversar com os que dizem estas coisas ou fizeram uma vez parte do grupo e os deixaram por quaisquer circunstâncias. São cortadas laços com os amigos antigos e familiares e o círculo fica mais fechado ao ponto de as únicas pessoas que se tem contato acabam sendo eles.
Se evidência é apresentada que eles tem tido falsas profecias ou que eles estão sendo usados para ganhar dinheiro o foco é trocado e é ensinado aos membros a questionar os motivos ou o caráter da pessoa e ignorar a evidência. Assim o foco está nos caráter dos outros e não na prova que eles têm. Eles são chamados emissários de satanás de forma que eles não podem ser confiados em nada que têm.

UMA ATITUDE E FILOSOFIA DO TIPO "ELES ESTÃO CONTRA NÓS": Qualquer um que desafia a doutrina da seita é marcado com ferro automaticamente como inimigo que normalmente é qualquer um que discorde. Os membros de seita sentem que estão sendo perseguidos injustamente. Por outro lado, verdadeiros cristãos aceitam perseguição, sabendo que isso testa a autenticidade da sua fé. É dito para os novos membros que satanás fará os amigos e família dizer coisas ruins sobre o grupo deles e que eles deveriam confiar só em sua nova família. Nós deveríamos esperar ser perseguidos por causa da verdade que temos. Vira uma mentalidade 'eles estão contra nós'. Clichês são dados, como "quem é mais importante, Deus ou a escola? ' Ou "você não ama Deus com todos seu coração, você não confia em nós, você conhece qualquer um que se preocupa com você mais do que nós? " Nós somos o únicos que têm a verdade", "você não quer ser achado fiel?"

FOCO EM UM INIMIGO IMAGINÁRIO: O inimigo pode ser o governo, iluminati, ufos, (ou outros conspiradores), judeus, negros (outros grupos étnicos se eles são orientados politicamente) certas igrejas e denominações são também considerados inimigos. O foco muda dentro do grupo em vez para a verdade de Deus e pretende manter os partidários ocupados para algo de fora, para também parar de olhar para dentro da seita e realmente refletir acerca dessas coisas.

ENSINO MOTIVACIONAL: Técnicas propositais para estimular emoções, usualmente empregando orar alto ou música com participação do grupo. Dinâmica de grupo é usada para influenciar respostas e você é desarmado com faces sorridentes e apertos de mão e abraços como sinal de amizade incondicional. E aos que foram convidados recentemente é perguntado se eles gostaram e o quanto se divertiram com eles e o que eles têm a oferecer. Eles se tornarão seus melhores amigos imediatamente e quererão saber quando você voltará.

REGRAS DE SILÊNCIO: As regras que governam suas igrejas não são declaradas freqüentemente ou escritas. Tome cuidado se eles dizem que "a única declaração que nós temos é a Bíblia." Considerando que as regras não são faladas verbalmente, você não descobre que a regra (s) existia até que você quebrou uma. É levado a admitir que você deveria os conhecer. Ou ensinado depois que você se juntou a eles.

A regra não dita pode vir assim: Não discorde com as autoridades de igreja--especialmente o pastor ou senão sua espiritualidade e lealdade serão interrogadas. Silêncio se torna uma parede de fortaleza de proteção, muitos protegerão a posição do pastor de qualquer escrutínio ou desafio. Se a pessoa questiona o que é dito ou as regras que eles vêem como estando contra Deus eles são tratados como divisivos.
O não poder falar com outros é provavelmente a regra mais consistente usada. Se você falar sobre o problema com outros, VOCÊ SE TORNA O PROBLEMA. Você tem que ficar calado e ignorar isto ou será pedido para você partir. Nem pode discutir coisas com outros que partiram enquanto você ainda estiver no grupo ou será considerado traição.

TÉCNICAS DE CONVERSÃO: Conversão em uma seita é feita através de interações dinâmicas. Eles procuram aqueles que são novos na cidade ou na escola. O mais fácil para envolver alguém é quando é descoberto que eles são fracos e vulneráveis; podendo se tornar um recruta potencial imediatamente. Esta vulnerabilidade pode ser aumentada através de situações transitivas na vida como divórcio, depressão, abuso, desvantajens, um trabalho ou mudança de carreira, mudança para longe de casa ou deixando faculdade, poucos amigos, uma doença, ou morte de um amado, uma nova área de trabalho, solidão, perda de trabalho, ou alguém apostatando. Esses quem tiveram numerosas experiências ruins em suas vidas sentindo-se rejeitado pelas pessoas e inseguros são os atraídos pelas seitas. Estes grupos lhes fazem imediatamente se sentir aceito e superior dando-lhes amizade e aceitação. Muitas pessoas que ficam descontentes e desapontados com as experiências de igrejas anteriores estão aberto a algo novo, até mesmo algo radicalmente diferente.

ESTADOS ALTERADOS MÍSTICOS: A carne é considerada má e o Espírito bom (gnosticismo). São aceitas experiências subjetivas mais rápido que o ensino construtivo.

LÍDERES TÊM UM ESPÍRITO INDÓCIL E ORGULHOSO: A atitude que "ninguém pode me julgar ou me dizer que o que fazer" é nutrida pelo orgulho. O líder está em decepção e promove decepção nos seguidores. O líder fica intocável por qualquer um. Ele só é responsável perante Deus e todos têm que obedecer ao que ele diz como se isso fossem as palavras de Deus. "Incluísse nisso a atitude que 'nós sempre temos a razão" vinda da liderança. Toda falsa doutrina tem o orgulho como seu catalisador e a arrogância como sua prática. Um bom exemplo disto é a frase "não toque os ungidos de Deus".

ORGULHO DO GRUPO: "Nós somos os únicos que são certos". "Se você não estiver conosco, então você é destinado ao inferno". Doutrina correta é usada por eles somente para a exclusão de quaisquer outros, somente eles tem a verdade, assim eles se sentem no dever de ajuntar para salva-los.

LAVAGEM CÉREBRAL: Novos membros passam cada vez mais por lavagem cerebral, até que o convertido se identifique com a Igreja e seus líderes e os laçoes com a sociedade e parentes estárompido. Muitos reivindicam ninguém pode passar por lavagem cerebral se não quiser. Mas quem alguma vez quis passar por uma lavagem cerebral a menos que lhe convencessem primeiro que é uma coisa boa? Assim é disfarçado como o que é certo e verdadeiro. Enquanto há algumas diferenças sutis entre controle da mente e lavagem cerebral, os resultados são os mesmos, obediência. Um ensino sistemático doutrina os membros nas convicções da seita. Este é um processo metódico de seduzir e enganar. É mentira em cima de mentira até que se aceita e acredita Um reprogramar da consciência é feito por outros membros e ensinos sistemáticos. Certas técnicas são usadas para o que é chamado reforma e condicionamento do pensamento. Os membros são mantidos debaixo de pressão física, mental e emocional ficando tão fadigados para resistir ou pensar por si próprios ou ficam com a mente tão ocupada a ponto de concordar com todas as ações do grupo.

DEDICAÇÃO EM CONVERTER OUTROS AO GRUPO E SEU SISTEMA DE CRENÇA: Seitas exigem um forte compromisso de seus membros. Eles prometem recompensas pela fidelidade aos líderes e a organização.
Serviço para a igreja é compreendido como serviço para Deus. Reuniões são obrigatórias. As reuniões os manterão tão ocupados que eles já não terão tempo pelos amigos e família, trabalho ou passatempos. Eles são substituídos com uma nova família e amigos e uma nova visão de vida.

COMPROMISSO TOTAL: é esperado dos seguidores ao líder (s). O compromisso deles requer que aquela propriedade e dinheiro sejam dados nas mãos do líder (s). Tempo, talento, e dinheiro são todos colocados à disposição da igreja ou líderes. É tudo focalizados na missão que é interpretada como Deus. Enquanto muitos usam a grande comissão como um conceito básico eles mudam isso para significar algo que atualmente fazem.

DISCIPLINA DE VIDA INCONSCIENTE: regras muito rígidas em algumas áreas e completamente solta em outros. Comporá regras extras para ou proibir normalmente coisas feitas (legalismo) ou permitirá liberdade total ao extremo. Não há nenhum equilíbrio, mas somente extremos.

MALDIÇÕES E AMEAÇAS: para os que deixam o grupo ou os opõem depois. É lhes dito que a ninguém mais podem ir. São feitas ameaças sutilmente ou face a face.

Texto adaptado de “Let us Reason Ministries”

https://www.facebook.com/notes/eduardo-pedrosa/caracter%C3%ADsticas-comuns-de-como-as-seitas-operam/317088955014358 

O NATAL DE CRISTO E O NATAL SECULAR Ciro Sanches Zibordi


Muitos me perguntam por que eu, como apologista, não verbero contra o Natal, alegando que este é uma festa pagã, oriunda da Babilônia e oficializada pela Igreja Católica Romana. Alguns, na verdade, chamam-me de apologista como uma provocação, pois já disseram alhures que sou um apologista na contramão ou incoerente, em razão de não ter entrado na onda legalista de verberar contra o Natal.

Ora, com quem os legalistas de plantão aprenderam que o Natal de Cristo é uma festa pagã? A despeito de o romanismo ter aproveitado a data de 25 de dezembro, muito usada por povos pagãos, para transformá-la no dia da celebração do Natal — o que, reconheço, foi uma medida inteligente —, o Natal de Cristo transcende a tudo isso. Ele foi celebrado por anjos e pastores, na própria noite do nascimento de Jesus, e também por magos (sábios) do Oriente numa casa, quando Jesus tinha cerca de dois anos de idade (Lc 2.8-20; Mt 2.1-18).

Por graça de Deus, como servo de Cristo, sobretudo, celebro o Natal de Cristo no mês de dezembro — posto que ele é, para mim, antes de tudo, uma festa verdadeiramente cristã — há mais de 25 anos. Mas também participo, sem problema de nenhum, de algumas (note: algumas) comemorações alusivas ao Natal secular e ao Ano Novo. O cristão que se preza está no mundo e deve saber como se conduzir em tudo. Afinal, o próprio Jesus Cristo nos ensinou, por seu exemplo, a sermos sociáveis, e não fanáticos e legalistas (Jo 2.1-12; Lc 5.29-32).

O Natal secular, a despeito de ser diferente do Natal de Cristo em seu conteúdo e forma, não é vedado ao povo de Deus. Não podemos nós, como cristãos, tomar parte dessa grande celebração chamada de Natal, admirando as luzes, as cores, e apreciando o que há de bom nessa grande festa?

Diante do exposto, reitero que gosto de peru, panetone, rabanada; troco presentes com a minha família; enfeitamos a casa; alegramo-nos na presença do Senhor, pois a alegria do Senhor é a nossa força. Somos livres, em Cristo! Não obedecemos a proibições vãs, fanatizantes, inúteis, como "não toques, não proves, não munuseies" (Cl 2.21). Por outro lado, não perco a oportunidade de, nesse período do ano, pregar a Cristo e cantar louvores em praça pública, pois Ele — e mais ninguém — é o grande protagonista do Natal. ‪#‎ProntoFalei‬, de novo, quer gostem, quer não gostem.

Ciro Sanches Zibordi

Em severa crítica à Igreja, papa apresenta maior reforma do Vaticano em meio século

Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" apresentada hoje é o primeiro documento do novo papa e traça o caminho para a Santa Sé nos próximos anos. Documento propõe "nova etapa de evangelização" e "conversão" da Igreja




Cidade do Vaticano – Jorge Bergoglio lança um projeto de “conversão do papado”, propõe a “descentralização” da Igreja e apresenta o plano da maior reforma feita no Vaticano em pelo menos meio século. No primeiro documento de seu próprio punho apresentado hoje, o papa Francisco explica em mais de 200 páginas seu projeto para o futuro da Igreja, lançando duros ataques contra sacerdotes e denunciando a guerra pelo poder dentro dos muros da Santa Sé.

“Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos para convidá-los a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indica direções para o caminho da Igreja nos próximos anos”, escreveu em sua Exortação Apostólica publicada hoje, o Evangelii Gaudium do Santo Padre Francisco aos Bispos, Presbíteros, Diáconos às pessoas consagradas e aos fiéis laicos sobre o Anúncio do Evangelho no Mundo Atual. “É uma nova evangelização no mundo de hoje, insistindo nos aspectos positivos e otimismo”, explicou o cardeal Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifical para a Nova Evangelização e que admite que o papa é “franco”. “O centro é o amor”, insistiu. “Sem isso, a Igreja é um castelo de cartas e isso é o nosso maior perigo”, declarou.

Em seu texto, Francisco apela à Igreja a “recuperar a frescor original do Evangelho”, mas encontrando “novas formas” e “métodos criativos”. “Precisamos de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são."

Uma parte central de seu trabalho será o de “reformar as estruturas eclesiais” para que “todas se tornem mais missionárias”.

O recado é claro: promover uma “saudável descentralização” na Igreja, num gesto inédito vindo justamente da pessoa que representou por séculos a centralização da instituição e sempre lutou contra repartir poderes. A esperança é de que as conferencias episcopais possam contribuir para “o sentido de colegialidade”.

A descentralização apontaria até mesmo para a abertura de espaços para diferentes formas de praticar o catolicismo. “O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural e o rosto da Igreja é multiforme”, escreveu. “Não podemos esperar que todos os povos, para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adotadas pelos povos europeus num determinado momento da história”. Para o papa, teólogos precisam ter em mente “a finalidade evangelizadora da Igreja”.

Nem o próprio papa estaria isento da reforma. Sua meta é a de promover uma “conversão do papado para que seja mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades atuais da evangelização”.

A burocracia e a aristocracia da Santa Sé também precisa ser revista. “Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja não diretamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos mais profundamente enraizados ao longo da história”.

Bergoglio insiste que prefere “uma igreja ferida e suja por ter saído às estradas, em vez de uma igreja preocupada em ser o centro e que acaba prisioneiras num emaranhado de obsessões e procedimentos”.

Abertura – Um dos pontos centrais é ainda a abertura da Igreja aos fiéis. “Precisamos de igrejas com as portas abertas” para evitar que aqueles que estão em busca de Deus encontrem “a frieza de uma porta fechada”. “Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo”, escreveu.

A escolha dos fiéis que deveriam comungar também é atacado pelo papa. “A Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos”, alertou.

Poder – O documento ainda lança severas críticas a padres e sacerdotes. O papa pede que se evite as “tentações” do individualismo e alerta que “a maior ameaça é o pragmatismo incolor da vida cotidiana da Igreja, quando na realidade a fé se vai desgastando”.

Pedindo uma “revolução de ternura”, o papa critica “aqueles (religiosos) que se sentem superior aos outros” e que apenas fazer obras de caridade não seria o suficiente. O papa também ataca os sacerdotes que “em vez de evangelizar, classificam os outros”, adotando um “certo estilo católico próprio do passado”.

Bergoglio também ataca os religiosos que tem “um cuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho” às necessidades das populações. “Esta é uma tremenda corrupção com a aparência de bem. Deus nos livre de uma igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais."

As batalhas por poder dentro do Vaticano também são alvos de ataques do papa contra a Igreja. Ele apela para que as comunidades eclesiais “não caiam nas invejas e ciúmes”. “Dentro do povo de Deus, quantas guerras”, lamenta o argentino. “A quem queremos evangelizar com estes comportamentos?”, atacou, indicando um “excesso de clericalismo”.

O papa ataca o “elitismo narcisista” entre os cardeais. “O que queremos? Generais de exércitos derrotados? Ou simplesmente soldados de um esquadrão que continua batalhando?”, questionou.

Até mesmo as homilias (sermão feito nas missas) são alvos de ataque do papa. “São muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos." Bergoglio insiste que ela não deve ser nem uma conferência e nem uma aula. “Temos de evitar uma pregação puramente moralista”.

Um ataque especial vai também aos religiosos que não se preparam devidamente para as missas. “Um pregador que não se prepara não é espiritual, é desonesto e irresponsável”, escreveu. Quanto às confissões, o argentino é ainda mais duro: “não se trata de uma câmara de tortura”.

Mulher – O papa volta a defender um maior papel da mulher dentro da Igreja. “Ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, nos diferentes lugares onde são tomadas decisões importantes”, defendeu. “As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres não se podem sobrevoar superficialmente”, apontou.

Bergoglio deixa claro a posição da Igreja contrária ao aborto. “Entre os fracos que a Igreja quer cuidar estão as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana”, escreveu.

“Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre essa questão. Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana”, declarou.

Economiae política – Bergoglio ainda destina uma parte importante de seu texto à situação mundial e não deixa de atacar o modelo econômico que prevalece. “O atual sistema econômico é injusto pela raiz”, declarou. “Esta economia mata porque prevalece a lei do mais forte”.

“Os excluídos não são explorados, mas lixo, sobras”, atacou. “Vivemos uma nova tiraria invisível, por vezes virtual, de um mercado divinizado onde reinam a especulação financeira, corrupção ramificada, evasão fiscal egoísta”. O dinheiro, segundo ele, deve servir, e não dominar.

Para ele, esse modelo estaria promovendo uma “crise cultural profunda” nas famílias. “O individualismo pós-moderno e globalizado promove um estilo de vida que perverte os vínculos familiares”, alertou.

O papa ainda apela para que a Igreja não tenha medo de se envolver nos debates políticos e que faça parte da luta por influenciar grupos políticos para garantir maior justiça social. Para ele, os pastores tem “o direito de emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas”, escreveu. “Ninguém pode exigir de nos que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas”, declarou.

Sua luta contra a pobreza também fica claro no documento. “Até que não se resolvam radicalmente os problemas dos pobres, não se resolverão os problemas do mundo”, declarou, fazendo um apelo aos políticos. Em seu documento, ele volta a defender os “mais fracos”, os “sem-teto, os dependentes de drogas, os refugiados” e apela a países que promovam uma “abertura generosa” aos imigrantes. Para ele, existem “muitos cúmplices” nesses crimes.

O argentino, porém, não deixa de apelar “humildemente” aos países muçulmanos que garantam a liberdade religiosa para os cristãos, “tendo em conta a liberdade de que gozam os crentes do Islã nos países ocidentais”. “Uma adequada interpretação do Corão se opõe a toda a violência”, defendeu. Bergoglio, porém, insiste na necessidade de fortalecer o diálogo e a aliança entre crentes e não-crentes.

Apesar dos desafios, o papa insiste que os fiéis não devem desistir. “Se eu conseguir ajuda pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida”, concluiu.



Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2013/11/em-severa-critica-igreja-papa-apresenta.html#ixzz2mnnBWwtV
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Depoimento: 'O período na prisão foi importante para ele perder a raiva!' DESMOND TUTU


DESMOND TUTU

DO "GUARDIAN"

Durante 27 anos conheci Nelson Mandela só por sua fama. Eu o tinha visto uma vez no início dos anos 1950, quando ele foi à minha faculdade de pedagogia para ser jurado em um concurso de debates. Depois disso, só fui encontrá-lo em 1990.
Quando Mandela saiu da prisão, muitas pessoas temiam que ele revelasse ter pés de barro. A ideia de que pudesse confirmar sua reputação parecia boa demais para ser verdade.
Espalhou-se um cochicho dentro do CNA [Congresso Nacional Africano, partido de Mandela] de que ele tinha sido muito mais útil na prisão do que seria fora dela.
Quando ele saiu, aconteceu a coisa mais extraordinária. Embora muitos da comunidade branca ainda o tachassem de terrorista, Mandela tentou compreendê-los. Seus gestos comunicavam sua posição com mais eloquência que palavras. Por exemplo, chamou seu carcereiro branco para ser convidado VIP em sua posse na Presidência. Também convidou à residência oficial as viúvas de líderes brancos.
Betsie Verwoerd, cujo marido, HF Verwoerd, foi assassinado em 1966, não pôde ir porque estava doente. Ela vivia em Oranje, onde os africânderes [descendentes dos colonizadores holandeses] se congregavam para viver com exclusividade. E, como ela não pôde ir, Mandela deixou tudo de lado e foi tomar chá com ela, ali, naquele lugar.
Ele dizia a respeito dos africânderes: "Dá para entender muito bem o que devem estar sentindo." Mandela fez um gesto de conciliação com eles usando o "springbok" (uma espécie de gazela sul-africana), símbolo da equipe nacional de rúgbi, rejeitada por muitos negros por ser um esporte ligado aos brancos.
O golpe de mestre de Mandela foi na final da Copa do Mundo de rúgbi, em 1995, quando ele entrou no campo usando o agasalho da seleção. Quase qualquer outro líder político teria parecido desastrado fazendo isso, mas Mandela o fez com elegância.
O público inteiro, composto provavelmente por 99% de brancos, explodiu em gritos de "Nelson! Nelson!". Foi extraordinário. E quem teria acreditado que o povo dos "townships" [subúrbios negros] comemoraria uma vitória sul-africana no rúgbi?
É claro que já o vi com raiva. Após o massacre de Boipatong, em 1992, em que morreram 42 pessoas, o CNA abandonou as negociações, e Mandela ficou lívido. Ele afirmou que os serviços de inteligência tinham avisado [o então presidente] FW de Klerk que algo fora do comum ia acontecer. Não sei se De Klerk ignorou o aviso. Madiba disse que estava claro que vidas negras não significavam nada para eles.
Em outra ocasião, Mandela me disse que, quando ele e De Klerk estavam na cerimônia do Nobel da Paz, em Oslo, algo o deixou profundamente aborrecido. Havia um grupo cantando "Nkosi Sikelel' iAfrika", visto como o hino da luta pela libertação, e De Klerk e a mulher dele continuaram a conversar durante o hino --não demonstraram respeito.
Mas sua raiva nunca superava sua paciência ou sua capacidade de perdão. As pessoas diziam "vejam o que ele conquistou em seus anos no governo --que desperdício foram aqueles 27 anos passados na prisão".
Mantenho que seu período na prisão foi necessário porque, quando foi preso, estava cheio de raiva. Mandela era relativamente jovem e tinha sido vítima de um erro da Justiça; ele não era um estadista, disposto a perdoar --era o comandante em chefe da ala armada do partido, que estava inteiramente disposta a recorrer à violência.
O tempo que ele passou na prisão foi crucial. O sofrimento torna algumas pessoas amargas, mas enobrece outras. A prisão virou uma prova de fogo que queimou tudo o que era ruim. As pessoas nunca podiam dizer a Mandela: "Você fala em perdão da boca para fora. Você não sofreu. O que sabe sobre perdão?" Vinte e sete anos lhe conferiram essa autoridade.
Um dos maiores traumas de sua vida foi o que aconteceu entre ele e Winnie [ex-mulher]. Mandela realmente a amava. A mágoa de terem se separado depois de ele sair da prisão foi profunda.
Foi maravilhoso ele ter conhecido Graça, mas a gente se entristece um pouco, porque Winnie passou por tanta coisa, e teria sido o final perfeito se os dois tivessem vivido felizes para sempre.
A melhor maneira de recordar Mandela é pegar aquilo que ele ajudou a criar e converter em sucesso. Mandela tinha clareza quanto ao fato de que ninguém é indispensável. Ele fazia questão de destacar que ninguém era maior que o movimento. Mas sabemos que não era assim.
Qualquer pessoa que se torna líder, em qualquer lugar do mundo, sabe que ele é uma referência. E precisa perguntar a si mesmo: o que posso aprender com ele?

DESMOND TUTU, 82, é arcebispo emérito e Nobel da Paz pela luta contra o apartheid 

Tradução de CLARA ALLAIN