sábado, 7 de dezembro de 2013

O NATAL DE CRISTO E O NATAL SECULAR Ciro Sanches Zibordi


Muitos me perguntam por que eu, como apologista, não verbero contra o Natal, alegando que este é uma festa pagã, oriunda da Babilônia e oficializada pela Igreja Católica Romana. Alguns, na verdade, chamam-me de apologista como uma provocação, pois já disseram alhures que sou um apologista na contramão ou incoerente, em razão de não ter entrado na onda legalista de verberar contra o Natal.

Ora, com quem os legalistas de plantão aprenderam que o Natal de Cristo é uma festa pagã? A despeito de o romanismo ter aproveitado a data de 25 de dezembro, muito usada por povos pagãos, para transformá-la no dia da celebração do Natal — o que, reconheço, foi uma medida inteligente —, o Natal de Cristo transcende a tudo isso. Ele foi celebrado por anjos e pastores, na própria noite do nascimento de Jesus, e também por magos (sábios) do Oriente numa casa, quando Jesus tinha cerca de dois anos de idade (Lc 2.8-20; Mt 2.1-18).

Por graça de Deus, como servo de Cristo, sobretudo, celebro o Natal de Cristo no mês de dezembro — posto que ele é, para mim, antes de tudo, uma festa verdadeiramente cristã — há mais de 25 anos. Mas também participo, sem problema de nenhum, de algumas (note: algumas) comemorações alusivas ao Natal secular e ao Ano Novo. O cristão que se preza está no mundo e deve saber como se conduzir em tudo. Afinal, o próprio Jesus Cristo nos ensinou, por seu exemplo, a sermos sociáveis, e não fanáticos e legalistas (Jo 2.1-12; Lc 5.29-32).

O Natal secular, a despeito de ser diferente do Natal de Cristo em seu conteúdo e forma, não é vedado ao povo de Deus. Não podemos nós, como cristãos, tomar parte dessa grande celebração chamada de Natal, admirando as luzes, as cores, e apreciando o que há de bom nessa grande festa?

Diante do exposto, reitero que gosto de peru, panetone, rabanada; troco presentes com a minha família; enfeitamos a casa; alegramo-nos na presença do Senhor, pois a alegria do Senhor é a nossa força. Somos livres, em Cristo! Não obedecemos a proibições vãs, fanatizantes, inúteis, como "não toques, não proves, não munuseies" (Cl 2.21). Por outro lado, não perco a oportunidade de, nesse período do ano, pregar a Cristo e cantar louvores em praça pública, pois Ele — e mais ninguém — é o grande protagonista do Natal. ‪#‎ProntoFalei‬, de novo, quer gostem, quer não gostem.

Ciro Sanches Zibordi

Em severa crítica à Igreja, papa apresenta maior reforma do Vaticano em meio século

Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" apresentada hoje é o primeiro documento do novo papa e traça o caminho para a Santa Sé nos próximos anos. Documento propõe "nova etapa de evangelização" e "conversão" da Igreja




Cidade do Vaticano – Jorge Bergoglio lança um projeto de “conversão do papado”, propõe a “descentralização” da Igreja e apresenta o plano da maior reforma feita no Vaticano em pelo menos meio século. No primeiro documento de seu próprio punho apresentado hoje, o papa Francisco explica em mais de 200 páginas seu projeto para o futuro da Igreja, lançando duros ataques contra sacerdotes e denunciando a guerra pelo poder dentro dos muros da Santa Sé.

“Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos para convidá-los a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indica direções para o caminho da Igreja nos próximos anos”, escreveu em sua Exortação Apostólica publicada hoje, o Evangelii Gaudium do Santo Padre Francisco aos Bispos, Presbíteros, Diáconos às pessoas consagradas e aos fiéis laicos sobre o Anúncio do Evangelho no Mundo Atual. “É uma nova evangelização no mundo de hoje, insistindo nos aspectos positivos e otimismo”, explicou o cardeal Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifical para a Nova Evangelização e que admite que o papa é “franco”. “O centro é o amor”, insistiu. “Sem isso, a Igreja é um castelo de cartas e isso é o nosso maior perigo”, declarou.

Em seu texto, Francisco apela à Igreja a “recuperar a frescor original do Evangelho”, mas encontrando “novas formas” e “métodos criativos”. “Precisamos de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são."

Uma parte central de seu trabalho será o de “reformar as estruturas eclesiais” para que “todas se tornem mais missionárias”.

O recado é claro: promover uma “saudável descentralização” na Igreja, num gesto inédito vindo justamente da pessoa que representou por séculos a centralização da instituição e sempre lutou contra repartir poderes. A esperança é de que as conferencias episcopais possam contribuir para “o sentido de colegialidade”.

A descentralização apontaria até mesmo para a abertura de espaços para diferentes formas de praticar o catolicismo. “O cristianismo não dispõe de um único modelo cultural e o rosto da Igreja é multiforme”, escreveu. “Não podemos esperar que todos os povos, para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adotadas pelos povos europeus num determinado momento da história”. Para o papa, teólogos precisam ter em mente “a finalidade evangelizadora da Igreja”.

Nem o próprio papa estaria isento da reforma. Sua meta é a de promover uma “conversão do papado para que seja mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades atuais da evangelização”.

A burocracia e a aristocracia da Santa Sé também precisa ser revista. “Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja não diretamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos mais profundamente enraizados ao longo da história”.

Bergoglio insiste que prefere “uma igreja ferida e suja por ter saído às estradas, em vez de uma igreja preocupada em ser o centro e que acaba prisioneiras num emaranhado de obsessões e procedimentos”.

Abertura – Um dos pontos centrais é ainda a abertura da Igreja aos fiéis. “Precisamos de igrejas com as portas abertas” para evitar que aqueles que estão em busca de Deus encontrem “a frieza de uma porta fechada”. “Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo”, escreveu.

A escolha dos fiéis que deveriam comungar também é atacado pelo papa. “A Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos”, alertou.

Poder – O documento ainda lança severas críticas a padres e sacerdotes. O papa pede que se evite as “tentações” do individualismo e alerta que “a maior ameaça é o pragmatismo incolor da vida cotidiana da Igreja, quando na realidade a fé se vai desgastando”.

Pedindo uma “revolução de ternura”, o papa critica “aqueles (religiosos) que se sentem superior aos outros” e que apenas fazer obras de caridade não seria o suficiente. O papa também ataca os sacerdotes que “em vez de evangelizar, classificam os outros”, adotando um “certo estilo católico próprio do passado”.

Bergoglio também ataca os religiosos que tem “um cuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho” às necessidades das populações. “Esta é uma tremenda corrupção com a aparência de bem. Deus nos livre de uma igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais."

As batalhas por poder dentro do Vaticano também são alvos de ataques do papa contra a Igreja. Ele apela para que as comunidades eclesiais “não caiam nas invejas e ciúmes”. “Dentro do povo de Deus, quantas guerras”, lamenta o argentino. “A quem queremos evangelizar com estes comportamentos?”, atacou, indicando um “excesso de clericalismo”.

O papa ataca o “elitismo narcisista” entre os cardeais. “O que queremos? Generais de exércitos derrotados? Ou simplesmente soldados de um esquadrão que continua batalhando?”, questionou.

Até mesmo as homilias (sermão feito nas missas) são alvos de ataque do papa. “São muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos." Bergoglio insiste que ela não deve ser nem uma conferência e nem uma aula. “Temos de evitar uma pregação puramente moralista”.

Um ataque especial vai também aos religiosos que não se preparam devidamente para as missas. “Um pregador que não se prepara não é espiritual, é desonesto e irresponsável”, escreveu. Quanto às confissões, o argentino é ainda mais duro: “não se trata de uma câmara de tortura”.

Mulher – O papa volta a defender um maior papel da mulher dentro da Igreja. “Ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, nos diferentes lugares onde são tomadas decisões importantes”, defendeu. “As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres não se podem sobrevoar superficialmente”, apontou.

Bergoglio deixa claro a posição da Igreja contrária ao aborto. “Entre os fracos que a Igreja quer cuidar estão as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana”, escreveu.

“Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre essa questão. Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana”, declarou.

Economiae política – Bergoglio ainda destina uma parte importante de seu texto à situação mundial e não deixa de atacar o modelo econômico que prevalece. “O atual sistema econômico é injusto pela raiz”, declarou. “Esta economia mata porque prevalece a lei do mais forte”.

“Os excluídos não são explorados, mas lixo, sobras”, atacou. “Vivemos uma nova tiraria invisível, por vezes virtual, de um mercado divinizado onde reinam a especulação financeira, corrupção ramificada, evasão fiscal egoísta”. O dinheiro, segundo ele, deve servir, e não dominar.

Para ele, esse modelo estaria promovendo uma “crise cultural profunda” nas famílias. “O individualismo pós-moderno e globalizado promove um estilo de vida que perverte os vínculos familiares”, alertou.

O papa ainda apela para que a Igreja não tenha medo de se envolver nos debates políticos e que faça parte da luta por influenciar grupos políticos para garantir maior justiça social. Para ele, os pastores tem “o direito de emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas”, escreveu. “Ninguém pode exigir de nos que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas”, declarou.

Sua luta contra a pobreza também fica claro no documento. “Até que não se resolvam radicalmente os problemas dos pobres, não se resolverão os problemas do mundo”, declarou, fazendo um apelo aos políticos. Em seu documento, ele volta a defender os “mais fracos”, os “sem-teto, os dependentes de drogas, os refugiados” e apela a países que promovam uma “abertura generosa” aos imigrantes. Para ele, existem “muitos cúmplices” nesses crimes.

O argentino, porém, não deixa de apelar “humildemente” aos países muçulmanos que garantam a liberdade religiosa para os cristãos, “tendo em conta a liberdade de que gozam os crentes do Islã nos países ocidentais”. “Uma adequada interpretação do Corão se opõe a toda a violência”, defendeu. Bergoglio, porém, insiste na necessidade de fortalecer o diálogo e a aliança entre crentes e não-crentes.

Apesar dos desafios, o papa insiste que os fiéis não devem desistir. “Se eu conseguir ajuda pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida”, concluiu.



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Depoimento: 'O período na prisão foi importante para ele perder a raiva!' DESMOND TUTU


DESMOND TUTU

DO "GUARDIAN"

Durante 27 anos conheci Nelson Mandela só por sua fama. Eu o tinha visto uma vez no início dos anos 1950, quando ele foi à minha faculdade de pedagogia para ser jurado em um concurso de debates. Depois disso, só fui encontrá-lo em 1990.
Quando Mandela saiu da prisão, muitas pessoas temiam que ele revelasse ter pés de barro. A ideia de que pudesse confirmar sua reputação parecia boa demais para ser verdade.
Espalhou-se um cochicho dentro do CNA [Congresso Nacional Africano, partido de Mandela] de que ele tinha sido muito mais útil na prisão do que seria fora dela.
Quando ele saiu, aconteceu a coisa mais extraordinária. Embora muitos da comunidade branca ainda o tachassem de terrorista, Mandela tentou compreendê-los. Seus gestos comunicavam sua posição com mais eloquência que palavras. Por exemplo, chamou seu carcereiro branco para ser convidado VIP em sua posse na Presidência. Também convidou à residência oficial as viúvas de líderes brancos.
Betsie Verwoerd, cujo marido, HF Verwoerd, foi assassinado em 1966, não pôde ir porque estava doente. Ela vivia em Oranje, onde os africânderes [descendentes dos colonizadores holandeses] se congregavam para viver com exclusividade. E, como ela não pôde ir, Mandela deixou tudo de lado e foi tomar chá com ela, ali, naquele lugar.
Ele dizia a respeito dos africânderes: "Dá para entender muito bem o que devem estar sentindo." Mandela fez um gesto de conciliação com eles usando o "springbok" (uma espécie de gazela sul-africana), símbolo da equipe nacional de rúgbi, rejeitada por muitos negros por ser um esporte ligado aos brancos.
O golpe de mestre de Mandela foi na final da Copa do Mundo de rúgbi, em 1995, quando ele entrou no campo usando o agasalho da seleção. Quase qualquer outro líder político teria parecido desastrado fazendo isso, mas Mandela o fez com elegância.
O público inteiro, composto provavelmente por 99% de brancos, explodiu em gritos de "Nelson! Nelson!". Foi extraordinário. E quem teria acreditado que o povo dos "townships" [subúrbios negros] comemoraria uma vitória sul-africana no rúgbi?
É claro que já o vi com raiva. Após o massacre de Boipatong, em 1992, em que morreram 42 pessoas, o CNA abandonou as negociações, e Mandela ficou lívido. Ele afirmou que os serviços de inteligência tinham avisado [o então presidente] FW de Klerk que algo fora do comum ia acontecer. Não sei se De Klerk ignorou o aviso. Madiba disse que estava claro que vidas negras não significavam nada para eles.
Em outra ocasião, Mandela me disse que, quando ele e De Klerk estavam na cerimônia do Nobel da Paz, em Oslo, algo o deixou profundamente aborrecido. Havia um grupo cantando "Nkosi Sikelel' iAfrika", visto como o hino da luta pela libertação, e De Klerk e a mulher dele continuaram a conversar durante o hino --não demonstraram respeito.
Mas sua raiva nunca superava sua paciência ou sua capacidade de perdão. As pessoas diziam "vejam o que ele conquistou em seus anos no governo --que desperdício foram aqueles 27 anos passados na prisão".
Mantenho que seu período na prisão foi necessário porque, quando foi preso, estava cheio de raiva. Mandela era relativamente jovem e tinha sido vítima de um erro da Justiça; ele não era um estadista, disposto a perdoar --era o comandante em chefe da ala armada do partido, que estava inteiramente disposta a recorrer à violência.
O tempo que ele passou na prisão foi crucial. O sofrimento torna algumas pessoas amargas, mas enobrece outras. A prisão virou uma prova de fogo que queimou tudo o que era ruim. As pessoas nunca podiam dizer a Mandela: "Você fala em perdão da boca para fora. Você não sofreu. O que sabe sobre perdão?" Vinte e sete anos lhe conferiram essa autoridade.
Um dos maiores traumas de sua vida foi o que aconteceu entre ele e Winnie [ex-mulher]. Mandela realmente a amava. A mágoa de terem se separado depois de ele sair da prisão foi profunda.
Foi maravilhoso ele ter conhecido Graça, mas a gente se entristece um pouco, porque Winnie passou por tanta coisa, e teria sido o final perfeito se os dois tivessem vivido felizes para sempre.
A melhor maneira de recordar Mandela é pegar aquilo que ele ajudou a criar e converter em sucesso. Mandela tinha clareza quanto ao fato de que ninguém é indispensável. Ele fazia questão de destacar que ninguém era maior que o movimento. Mas sabemos que não era assim.
Qualquer pessoa que se torna líder, em qualquer lugar do mundo, sabe que ele é uma referência. E precisa perguntar a si mesmo: o que posso aprender com ele?

DESMOND TUTU, 82, é arcebispo emérito e Nobel da Paz pela luta contra o apartheid 

Tradução de CLARA ALLAIN

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CRISTÃO QUE ENFEITA SUA CASA PARA O NATAL É IDÓLATRA? Ciro Sanches Zibordi

Na Palavra de Deus, encontramos mandamentos claros quanto à idolatria. Em 1 Coríntios 10.7,14 está escrito: "Não vos façais, pois, idólatras [...]; meus amados, fugi da idolatria". E, em 1 João 5.21, lemos: "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos". Mas, o que é idolatria, de acordo com as Escrituras?

O termo "idolatria" é uma transliteração da palavra grega "eidololatria", que denota: "adoração a ídolos; adoração a imagens como divinas e sagradas. [...] Idolatria, então, é prestar honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou atribuir poderes divinos a operações puramente naturais" (WYCLIFFE, CPAD, 2006, p.944). Isso está de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: "Não farás para ti imagem de escultura" (Êx 20.4).

No Novo Testamento, o conceito de idolatria foi ampliado (Gl 5.20; 1 Co 5.11), como escrevi, recentemente, na revista Manual do Obreiro (CPAD, número 57): "Para os israelitas, tal mandamento restringia-se à adoração aos deuses de ouro, prata, madeira, barro, etc. Hoje, qualquer tipo de idolatria é vedado ao povo de Deus. A avareza, por exemplo, é retratada como uma forma de idolatria (Ef 5.5), um sentimento que impede o ser humano de amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 19.24; Lc 12.16-21; 1 Tm 6.10).

Mas observe que o pecado da idolatria nunca é praticado de modo inconsciente. Quem adora imagens de escultura como se fossem deuses, mesmo fazendo isso por ignorância, fá-lo de maneira intencional, consciente. Quem adora Mamom, da mesma forma, faz isso porque o seu coração está nas riquezas (Mt 6.19-24). Quem idolatra o mundo, como o desviado Demas (2 Tm 4.9), também coloca, de modo consciente, as coisas mundanas no lugar de Deus (1 Jo 2.15-17; Tg 4.4-8).

Bem, cheguei ao ponto em que queria estar para responder à pergunta em epígrafe. Se a idolatria é um pecado praticado conscientemente — ou seja, o idólatra peca de modo objetivo, pondo o objeto de sua adoração no lugar de Deus —, por que chamar de idolatria o ato de enfeitar uma casa com um pinheirinho, luzes e bolas coloridas?

O cristão que enfeita sua casa está, consciente e objetivamente, colocando a decoração do Natal secular no lugar de Deus? Ou ele faz isso porque gosta desse período de confraternizações, aprecia o belo e quer externar sua alegria?

Alguém poderá dizer que a origem de tais enfeites está ligada ao paganismo. Oh, sim, é verdade! Mas, se queremos mostrar ao mundo que a nossa santidade é extremada — superior à santidade que o Senhor pede de nós, a qual consiste em se apartar de tudo que nos faz objetivamente idólatras —, devemos escrever um código de leis (legalismo) contendo uma longa relação de "não toques, não proves, não manuseies" (Cl 2.21). Amém?

Ciro Sanches Zibordi


https://www.facebook.com/ciro.zibordi